Em minhas sessões de mentoria para revisão de portfólios ou preparação para entrevistas, sempre ressalto um conselho crucial: ME MOSTRA PERRENGUE!
No universo dos cursos e bootcamps de UX, somos apresentados a uma sequência “mágica” de passos a seguir. Isso muitas vezes leva à criação de cases com workflows extensos, onde a candidata simplesmente narra o processo para a avaliadora. Nesses casos, fica difícil avaliar como a candidata realmente trabalhará no dia a dia e qual seu diferencial em relação a outras. Imenso e repetitivo em comparação à outras candidatas: alerta de recrutadora com soninho!
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Na prática, raramente conseguimos executar um processo de discovery completo.
Por exemplo, uma cliente pode exigir resultados em apenas três semanas. Nesse intervalo, aplicar todos os passos do processo é impossível. Adicionalmente, persuadir uma cliente a seguir todos esses passos pode ter o efeito inverso e diminuir seu interesse em UX. Isso ocorre porque ao se deparar com a quantidade de horas necessárias para um projeto completo de discovery, a cliente pode ficar menos inclinada a investir em UX. Esse cenário pode comprometer o buy-in, ou seja, a disposição do cliente em pagar pelo projeto, especialmente se for um projeto novo.
Em entrevistas para vagas de UX ou design de produto, priorizo compreender como as candidatas gerenciaram a pressão de clientes ou stakeholders internos. É fundamental descobrir quais etapas do processo foram simplificadas e como elas se ajustaram para preservar o valor entregue, sem comprometer a qualidade. Também busco entender como organizaram seu tempo para garantir eficiência na execução do projeto.
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Olhando cases, estou interessada em saber como lidaram com situações onde o que a cliente desejava não era tecnicamente viável, ou como reagiram à necessidade de implementar uma nova funcionalidade urgente, interrompendo o fluxo atual. Essas situações desafiantes revelam muito sobre uma profissional!
Isso me ajuda a identificar profissionais que não se limitam a aplicar teorias, mas que possuem habilidades críticas, de negociação e resolução de problemas.
Portanto, ao apresentar um case, sugiro começar com apenas uma breve introdução à teoria, em seguida focando principalmente em narrar a jornada de superação de desafios e a entrega de valor. Pense nisso como contar uma história à amigas numa mesa de bar, embora com um toque mais profissional. É como compartilhar uma aventura, onde os obstáculos se transformam em oportunidades para soluções criativas.
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Imagine, por exemplo, um projeto com um orçamento limitado, o que impede a realização de todas as etapas de pesquisa usualmente recomendadas (quase todos da vida real rs). Neste cenário, a equipe de UX enfrenta um dilema: como entender profundamente as necessidades do usuário e projetar uma solução eficaz sem o investimento completo em pesquisa?
Priorização de métodos de pesquisa de baixo custo, mas de alto impacto, como entrevistas com usuários-chave. Entrevistas internas. Análises de concorrentes disponíveis publicamente. São algumas das saídas possíveis para essas situações.
Construa uma história que ressalte a importância da iteração baseada em feedbacks rápidos de stakeholders, permitindo ajustes que refinaram o produto final, mesmo com recursos limitados.
Assim, o case não só demonstra a capacidade de entrega de valor sob restrições orçamentárias, mas também evidencia a habilidade da profissional em manter a qualidade e a relevância do design. Isso demonstra senioridade, flexibilidade, e que a pessoa já passou e superou perrengues que acontecem no dia a dia da profissão.
Quase nunca estaremos em condições ideais de um ambiente controlado de bootcamp.
E para fechar: Seja pessoal!! Cases são uma forma de não somente mostrar seu trabalho em si, mas sim a forma como você trabalha.
E aí? Já fazia isso? Tem alguma outra dica, sugestão ou feedback? Manda um comentário, estarei olhando e respondendo todos <3
Por: Anna Erbetta
Bônus: Foto da Belinha feliz e orgulhosa de todo o bom trabalho que você já dedicou para montar seus cases
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Ótimo conteúdo, concordo plenamente com a questão de ir além do caminho feliz, quando o profissional expõe adversidades e como ele as superou é o ponto chave pra uma avaliação mais próxima frente ao que acontece realmente no dia a dia de projetos.
Ps.: amei todos os memes kkkkk
Aaa, obrigada! 😍